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IPT e Politécnico de Turim vão criar novo Centro Internacional de Pesquisa em São Paulo


IPT e Politécnico de Turim vão criar novo Centro Internacional de Pesquisa em São Paulo

João Carlos Savio Cordeiro, superintendente técnico da Unidade de Energia do IPT, conduz Stefano Corgnati, reitor do Politécnico de Turim, e Roberto Zanino, da mesma instituição, em visitas técnicas a estruturas instaladas no campus do instituto (foto: Daniel Antônio/Agência FAPESP)

Publicado em 03/09/2026

Maria Fernanda Ziegler | Agência FAPESP – O Estado de São Paulo e a região italiana do Piemonte deram nesta semana dois passos importantes para ampliar a colaboração em pesquisas entre o Brasil e a Itália. Na segunda-feira (31/08), a FAPESP e o Politécnico de Turim (Polito) assinaram uma carta de intenções para a criação do Polito Hub, um Centro Internacional de Pesquisa (CIP) sediado no Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). Dois dias depois, na quarta-feira (02/09), a FAPESP firmou outra carta de intenções com a fundação italiana Compagnia di San Paolo para financiar projetos conjuntos entre as três universidades estaduais paulistas e instituições de pesquisa do Piemonte.

“A ideia do novo Centro Internacional de Pesquisa é unir duas instituições históricas, como o Polito e o IPT, para impulsionar o desenvolvimento tecnológico conjunto, gerando resultados práticos e impactos positivos para a indústria, empresas de inovação e a sociedade”, disse Marco Antonio Zago, presidente da FAPESP, durante a cerimônia no IPT.

No novo centro, serão desenvolvidos projetos de ciência, tecnologia e inovação que reunirão universidades, indústria e empresas nas áreas de transição energética, inteligência artificial, cidades inteligentes, transportes, arquitetura e planejamento urbano.

O Polito Hub integrará o programa Centros Internacionais de Pesquisa (CIP) da FAPESP, que visa estimular a criação de centros de excelência científica em São Paulo em parceria com instituições de pesquisa e universidades de renome mundial. Já estão em funcionamento o Centro Internacional Institut Pasteur de São Paulo (IPSP) – uma parceria entre o Institut Pasteur (França) e a Universidade de São Paulo (USP) – e o Centro Internacional de Pesquisa “Worlds in Transitions” (IRC Transitions), que envolve o Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS) da França e a USP.

Segundo Zago, a Fundação atualmente discute a possibilidade de criar iniciativas similares com o Instituto Max Planck (Alemanha), a Universidade de Tsinghua (China) e o Instituto Nacional de Pesquisa em Ciência da Computação e Automação (França).

Raul Machado, gerente de Relações Institucionais da FAPESP, destacou que o Polito Hub permitirá que cientistas paulistas e italianos trabalhem lado a lado. “É uma união de forças que deve enriquecer o ecossistema de inovação e ampliar a capacidade de pesquisa com suporte da FAPESP”, disse.

O reitor do Politécnico de Turim, Stefano Corgnati, ressaltou que o trabalho conjunto fortalece as duas instituições de pesquisa, que podem criar um ecossistema no qual elas se tornam totalmente complementares. “Se estivermos juntos, seremos mais fortes”, afirmou.

Já o diretor-presidente do IPT, Anderson Correia, destacou que o acordo vai fortalecer a internacionalização do instituto e enriquecer seu ambiente de inovação. “Ao mesmo tempo em que trabalharemos lado a lado com os italianos aqui, também vamos colocar o IPT na Europa”, comemorou. O instituto tem, por meio do programa de inovação aberta IPT Open, se conectado a parceiros e multinacionais de relevância global, como Google, Intel, Vale, Tupi e WEG.

O prefeito de Turim, Stefano Lo Russo, que também é cientista e professor do Politécnico de Turim, afirmou que as cidades são um teste fundamental para a competitividade de projetos de pesquisa. “O conceito moderno de cooperação internacional consiste em unir cidades, universidades e instituições públicas. Isso porque essa integração pode representar uma perspectiva fundamental para inovar na missão política das instituições que servem às nossas comunidades”, defendeu.


A delegação italiana conheceu o laboratório da área de hidrogênio, na Unidade de Energia do IPT (foto: Daniel Antônio/Agência FAPESP)

Celeiro de craques

Depois de anunciar o novo Centro Internacional de Pesquisa, na quarta-feira (02/09), a FAPESP e a Fondazione Compagnia di San Paolo, fundação filantrópica italiana, assinaram uma carta de intenções para o financiamento de pesquisas conjuntas entre as três universidades estaduais paulistas – USP, Universidade Estadual Paulista (Unesp) e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) –, o Politécnico de Turim, a Universidade de Turim e a Universidade do Piemonte Oriental.

“Mais que compartilhar o nome do mesmo santo padroeiro, temos a missão de contribuir para o desenvolvimento de nossos países. Também reconhecemos o valor geopolítico de fortalecer relações acadêmicas e científicas entre Itália e América Latina”, disse Marco Gilli, presidente da Fondazione Compagnia di San Paolo, por videochamada. Ele também afirmou que a instituição se comprometeu com o investimento inicial de € 200 mil ao longo de dois anos.

Para Gilli, o projeto é estratégico. “Ele conecta dois dos mais fortes clusters universitários do mundo. O da região de São Paulo é provavelmente um dos melhores da América do Sul, e também está entre os melhores do mundo”, afirmou.

A reitora da Unesp e presidente do Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp), Maysa Furlan, lembrou que os acordos representam um novo capítulo científico e acadêmico que aproxima grupos de pesquisa das duas regiões, criando novas oportunidades de interação.

Corgnati, que além de reitor do Politécnico de Turim é também coordenador da associação que reúne as três universidades estatais do Piemonte, afirmou que a parceria e a estrutura do novo centro de pesquisa podem criar o que ele chamou de “celeiro de craques”, ou seja, líderes científicos capazes de influenciar positivamente as trajetórias de suas regiões e do mundo.


A FAPESP e a Fondazione Compagnia di San Paolo assinaram uma carta de intenções para o financiamento de pesquisas conjuntas entre as universidades estaduais paulistas e instituições italianas (foto: Daniel Antônio/Agência FAPESP)

Rápido e devagar

Tanto a criação do Polito Hub no IPT quanto o acordo para financiar pesquisas conjuntas se originaram de conversas impulsionadas pela Rede Magalhães, um consórcio internacional de universidades da Europa, da América Latina e do Caribe focado em áreas como ciência, tecnologia, engenharia e arquitetura.

“Tudo começou na celebração do aniversário de 20 anos da Rede Magalhães, em 2025. Foi lá que vimos a oportunidade de conectar Turim e São Paulo. A conversa foi muito fácil desde o início, apesar da quantidade de videoconferências para desenharmos esses dois projetos. Mas, finalmente, há dois dias vimos o lugar onde trabalharemos juntos nos próximos anos”, lembrou Zago.

Roberto Zanino, presidente da Rede Magalhães, ressaltou que essa aproximação é também um marco para o consórcio, que originalmente tinha foco em tópicos educacionais e agora passa a capitanear investimentos em pesquisa científica.

Ele também contou que a rede pretende “exportar” esse modelo de colaboração inter-regional, oferecendo oportunidades para que outros parceiros estabeleçam acordos semelhantes. “Isso é algo especialmente relevante no contexto geopolítico atual”, concluiu.
 

Fonte: https://agencia.fapesp.br/59132